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Arquivo do dia: abril 20, 2012

Mel Adún, sua escrita reflete os enredos do dendê, do abebé e das mulheres Negras.

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Mel Adún, sua escrita reflete os enredos do dendê, do abebé e das mulheres Negras.

Quantas Tantas
-Por Mel Adún-

Quantos euteamos você já disse por aí?
Quantas mulheres sorriram
ao ver seus olhos brilharem de amor por elas?
Quantas foram elas?
Quantas choraram baixinho
com a chegada do novo amor
e deixaram de fazer pedidos a seu favor?
Quantas invadiram seus sonhos?

Quantas tantas…
Quantas putas?
Quantas santas?
Quantas tontas?
Quantas?

Mais de mil beijaram a sua boca?
Mais de cem se fizeram de louca?
Mais de dez juraram amor eterno
e construíram castelos
e com você foram morar?
Com quantas tantas você sonhou um lar?
Quantas mulheres carregaram o seu filho?
Quantas mulheres gozaram com a sua língua
entre as suas pernas
numa noite qualquer?

Quantos beijos formam uma paixão?
Quantos não?

Quantas tantas foram nada
ou algo muito pequeno
tão sereno que não virou poesia?

Quantas delas foram sina?
Quantas mulheres foram pecados
ou pecaram ao te amar,
assim, de graça, com graça
ou não?
Quantas?

Com quantas você pretende envelhecer,
trocar carinho até morrer,
sentado numa cadeira de balanço?

Quantas mulheres te tiraram do sério?
Quantas inspiraram livros
ou fizeram feitiço?
Ou mesmo o jogo do contente?
Quantas delas eram sementes
que poderiam germinar e florescer?
Quantas mulheres te mataram e
quantas tantas lhe fizeram morrer?
Quantas?
Tantas?

Bibliografia da autora

  • Antologias

Cadernos Negros 29. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São
Paulo: Quilombhoje, 2006.
Cadernos Negros 30. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São
Paulo: Quilombhoje, 2007.
Cadernos Negros três décadas. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio
Barbosa. São Paulo: Quilombhoje; Brasília: SEPPIR, 2008.

Contos afros. Organização de Márcio Barbosa. São Paulo: Quilombhoje, 2009.

Cadernos Negros 33. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São
Paulo: Quilombhoje, 2010.

Cadernos Negros 34. Organização de Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. São
Paulo: Quilombhoje, 2011.

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Chinua Achebe: Leitura obrigatória, embora prazerosa ao extremo

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Chinua Achebe: Leitura obrigatória, embora prazerosa ao extremo

Things Fall Apart, traduzido no Brasil como O Mundo se Despedaça, foi escrito em 1958 pelo nigeriano Chinua Achebe. Desde então é um dos maiores clássicos da literatura Negra no mundo. Esse livro trata dos valores nigerianos sem colocá-los no pedestal com vestes irrepreensíveis. No entanto, ao evocar a memória, a tradição e a cultura africana o autor estabelece um confronto direto com os prejuízos humanos advindos do colonialismo britânico.

Em termos de Brasil, visitar as obras de Chinua inevitavelmente nos conduz a sensações repetidas daquilo que se convencionou tratar por ‘Déjà vu’. Especialmente se analisarmos o papel das igrejas evangélicas que em nada difere do que enfrentamos em pleno século XXI em terras tupiniquins.

Ler Achebe se constitui em um perigo extremamente saudável e vital para nossos movimentos auto-emancipatórios. Leia-o e nos diga o que achou. Caso já o tenha lido, compartilhe conosco sua experiência.


Malangatana Valente – poemas

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Além de ser o principal nome da pintura moçambicana, Malangatana Valente também passa pela poesia. 
Para conhecer a pintura de Malangatana, visitehttp://ricardoriso.blogspot.com/2007/07/estar-se-no-stio-como-moambicano-como.html
e a relação dele com o poeta moçambicano José Craveirinha, visite
http://ricardoriso.blogspot.com/2007/11/craveirinha-e-malangatana-comunicao.html

A seguir, alguns poemas deste multifacetado artista.

A coruja
A coruja agoira-me
e diz-me que nunca chegarei
além onde o desejo me leva
e assim evapora-se o sonho;

O tambor foi tocado
na noite densa do feitiço
enquanto Kokwana* Muhlonga
apitava o Kulungwana* mortal;

Na noite sem estrelas
dois gatos pretos iluminaram
a cabana da Kokwana Hehlise
que morreu depois dos gatos terem miado.

Eu lutando comigo só
é impossível vencer as ondas
que feitiçeiramente me esboçam
as corujas, gatos e tambores.

In Livro “Vinte e quatro poemas” de Malangatana Valente Ngwenya, edição do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lisboa, 1996 pag.35

(…)

  • Leia o texto completo no seguinte endereço:

http://ricardoriso.blogspot.com.br/2007/12/malangatana-valente-poemas.html

Da série “A MAIOR, MELHOR e MAIS ANTIGA profissão do mundo…”

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